Deus criou o ser humano à sua imagem, [...] Homem e mulher ele os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a! (Gn 1, 27-28)
A criação do ser humano só se tornou completa quando Deus criou a mulher. Seguindo a mesma linha de pensamento, podemos dizer que o casal só atingirá sua plenitude quando do nascimento dos filhos. Deus delegou ao casal, pela fecundidade inerente ao amor conjugal, o seu dom mais precioso: a capacidade de gerar vida. O casal, por isso mesmo, tem o anseio profundo de realizar na vida a obra fecunda do próprio Deus. Por sua própria natureza o casal orienta-se necessariamente para alguma forma de fecundidade.
A geração de filhos, da carne e do coração, é gesto sublime de amor pela doação da vida, maior dom que se possa fazer a alguém. É possibilitar a um novo ser a extasiante aventura da vida, do amor, do conhecimento, da descoberta, do encontro e do mergulho final no coração de um Deus que é suprema realização de todo ser. É doação, é entrega, abnegação e renúncia para que outro possa ser e crescer, é plenificação do amor do casal que não pode ficar fechado em si mesmo.
Mas há também a fecundidade do casal que não pode, por questões biológicas, gerar seus próprios filhos. A estes é preciso que se repitam as palavras de Frei Antonio Moser. "O casal não é fecundo somente porque gera filhos e filhas, e sim, porque se ama, e em se amando apresenta espírito de acolhida para a vida". Essa fecundidade pode assumir diversas formas, como, por exemplo, o cuidado aos desvalidos, doentes e fracos, o magistério e a educação, assim que, de uma maneira ou de outra, o casal seja fonte de vida, foco de irradiação de amor e felicidade. Nesse contexto merece destaque a adoção de uma criança que, por alguma razão, não pode contar com o lar de seus pais biológicos. A paternidade e a maternidade "do coração" não são realização menor da fecundidade do casal. Podemos ver isso no belíssimo testemunho de vida de um casal que fez chorar a todos os participantes do II Encontro Nacional das ENS, em 2009:
"Aceitamos ser pais adotivos e, da mesma forma que acontece com pais biológicos, recebemos a missão e o compromisso de fazer crescer uma vida nova, por todos des-conhecida. A partir desse momento nos sentíamos grávidos no coração, na alma, todo nosso ser. Depois disso [...] percebemos que nem sempre ser pai e mãe, quer apenas uma coisa: quer amar! E amar é um dom! O dom de ser instrumento de Deus. Por quê? Porque Deus é amor. Então, evidentemente, nos damos conta de que não somos nós que amamos, mas Deus é quem ama através de cada um de nós! Nesse dia entendemos [...] que o amor gera vida! No evangelho escrito por São Mateus, Jesus disse que "o que fizerdes a uma dessas criancinhas, a mim estarás fazendo". Bom, num primeiro momento, pode-se pensar no bem que estamos fazendo a ela, na benevolência, na caridade, no desprendimento. Nada disso. Se o que ocorre verdadeiramente dentro de nós é gerar vida nova na perspectiva de que Deus é amor, então, é essa criança que estará nos fazendo bem. É ela que nos fará caridade, nos permitirá amar e vai nos transformar com o amor de Deus que ela infundirá em cada um de nós!"
Diante disso, temos de pensar nos casais que, por livre escolha, decidem não ter filhos. A fecundidade de seu matrimônio estará ou não comprometida conforme os motivos que os impulsionam. Alegam alguns que os tempos modernos já não permitem tal sacrifício de tal envergadura. Os filhos custam tempo e dinheiro, coisas que andam escassas nestes dias. Muitos são capazes de sacrifícios enormes para adquirir bes materiais como casa, carro, sítios, etc., mas não são capazes de se doar gerando filhos como frutos do amor conjugal. Não desejam acolher a vida. Certamente esses ainda não constituíram o "ser casal". E se por motivos egoístas não pretendem gerar filhos, como poderão doar-se espiritualmente um ao outro, e ambos a outros? Já a opção de outros poderá ter sentido totalmente diverso, merece respeito e não comprometer a fecundidade de seu amor.
"Acolher a vida, para nós casais equipistas, é também assumir uma paternidade e maternidade espititual. O nosso amor fecundo espiritual é desafiado constantemente pelas urgências que se nos apresentam. Quantos casais e famílias choram por um alento, uma orientação, uma escuta! Quantos recém-casados e noivos carecem de nossas orientações para bem viverem seu casamento! Por isso, parafraseando João Paulo II, afirmamos que a nenhum casal das ENS é permitido guardar só para si as graças e os frutos maravilhosos da vida matrimonial, nem pensar unicamente em seu bem estar... E, nessa linha de pensamento, relembramos a missão das ENS, as quais têm uma vocação: ajudar os casais a se santificarem. Mas têm também uma missão na igreja e no mundo [Pe. Caffarel]" Nenhum casal deve ser estéril.

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